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Aprendermos da Eslovénia

20/09/2019

Nom há que inventar nada, só copiar o bom que já foi feito.

Venho de estar num lugar onde convivem exploraçom florestal e turística sustentável e respeitosa numha contorna rural viva e com futuro. Tudo o contrário do que fai a Xunta, o nosso suposto “Governo Galego” [sic].

 

Foto 1 (clicar para ampliar): Aldeia tradicional (Stara Fužina) onde se é certo que há muitos apartamentos turísticos estes tamém pagam pola continuidade da populaçom local e o cuidado do ambiente (acontece igual na Irlanda, que é outro caso que conheço bem).
Note-se a mistura de tradiçom e modernidade; “o rural” nom pode ser umha romantizaçom do séc. XIX nem basear-se só em cultivos e gados. Leia-se ao Carlos Ferrás para estes assuntos e para mais comparativas Galiza-Irlanda.

 

Foto 2: Chiringo turístico (tasca/restaurante) no cúmio dum monte onde Heidi perdeu as botas. Nem quero imaginar o que faríamos nós. Bom, sim, nom há que imaginar nada conhecendo o montrulhom de cimento e plástico na lagoa de Castinheiras (Vila Boa, PO) junto a umha mega-churrasqueira de chorar e dar pena. Monumentos ao feísmo. Isso fazemos.

 

Foto 3: Ponto de informaçom dumha rota para caminhadas. Fazer notar que todos os indicadores estám em perfeito estado, em toda parte, e todos os trilhos limpos e indicados, os principais, os secundários e os de terceira categoria onde nom vai nem o gato. Igualinho que na nossa casa [retranca].

 

Foto 4: Festa popular local na que coincidim por acaso, e que sorte tivem! É complicado explicar o nível de civismo e calma que havia, apesar da muita gente e dos muitos (muitos!) litros de álcool circulante. Contudo, nem um problema, nem um lixo no chao.
Só lhes ganhamos a umha cousa: a música folk; o das rancheiras dos Alpes acaba raiando um pouco a cabeça (bem pensado, a dia de hoje nós levaríamos algumha dessas mega-osquestras patéticas ou chunda-chunda por megafonia, assim que melhor calo).

 

Foto 5: Um desses tantos detalhes a comentar que marcam diferença, essas pequenas cousas que demonstram umha sensibilidade real: Parque infantil incorporando umha das “estaçons mitológicas” dum mini roteiro onde retratam e explicam seres e lendas da tradiçom local e repetem, umha e outra vez, a importância do respeito pola Natureza.

 


Foto 6: Ide à Eslovénia / Slovenija. Muito que aprender.

PS. A Eslovénia é 1/3 parte mais pequena que a Galiza (em tamanho e populaçom), viveu a Guerra dos Balcáns do 1991 e um complicado processo de independência há menos de 20 anos e, a dia de hoje, adiantam-nos em quase todos os factores objetivos de progresso medíveis; os nom medíveis e intangíveis som os que tentei explicar.

Ah, derradeira foto de tantas: confluência dos vales Kot e Krma no lugarejo de Zgornja Radovna. É real e nom tem filtros nem photoshop nem nada parecido 😉
Aí vive gente, e vive bem, que combina a tala (controlada, racional e planificada) de madeira e o seu aproveitamento, quatro cultivos e uns quartos turísticos. Tenhem banda larga a toda velocidade e estám plenamente inseridos na “modernidade” num lugar a priori muito mais remoto, “enxebre” e “profundo” que qualquer montanha galega. Até os fodechinchos que venhem de Ljubljana som calmos e respeitosos – algo há no ar desse país…

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Visiting Galiza? Well…

03/06/2019

I’m glad to announce the “comeback” of an old idea of mine: Galicia Unveiled.

This is a project specifically designed for anyone wishing to discover this wee country in a very personal way 🙂

It was indeed created back in 2016 under a different premise, and just because of that placed on an hiatus for 2017 and 2018. Yet, fortunately, it has been relaunched again in 2019 with a new approach and strategy.

Galicia Unveiled will offer a unique insight into Western European culture and heritage where the tourist will no longer be just that, but a traveller.
Indeed, it is my intention to make visitors feel and experience this land in the same way I do, sharing genuine stories and references.

So Galicia Unveiled as such is currently offering free (tip-based) walking tours in the award-winning city of Pontevedra. Other (non-free) locations and further services and travel arrangements are available on demand.

Fingers crossed and let’s see how it goes 😀

Do visit www.galiciaunveiled.com for all the info and follow it on Facebook, Instagram and Twitter for all the news, comments and pics 😉

Defending Galizan language and culture as one

17/05/2019

Every 17th May Galiza rethinks its own precious and endangered language and culture.

It is a specific day – very much symbolic – serving as a reminder of the enormous amount of work to be done during the rest of the year, namely in the field of language preservation.

Some see it as the “Galizan Eisteddfod” … if we were to establish a parallelism with another stateless nation within our context.

But why this day? Well, for that you’ll have to read this short text on Galiza Livre (in English) about this special date 😉

Outra volta ao PCP: entrevista com o Prof. Ballester

02/05/2019

Prof. Xaverio Ballester (Univ. de Valência)

Pode parecer que vou “colecionando” entrevistas com os “figuras” do Paradigma da Continuidade Paleolítica, mas realmente é que umha cousa leva à outra e volta a começar 🙂

Se primeiro foi o enorme Benozzo (aqui e aqui), toca-lhe agora quenda ao Prof. Ballester na sua visita às já habituais Jornadas Galaico-Portuguesas de Pitões (e vam oito! – mais informaçom disso tamém aqui).

Nas quatro perguntas que lhe coloquei, Ballester falou dos prejuízos sobre o celtismo e a celticidade galaica, e ainda que a sua palestra será principalmente sobre linguística e mitologia, aclarou-me novamente como vai isto do politiqueio académico e a guerra de egos universitários:

… se a nova proposta [o PCP] tiver emergido em inglês nos Estados Unidos ou no Reino Unido a situaçom seria bem diferente.

Eis aqui a entrevista completa.

Vai estar muito interessante a cousa 😉

 

Dates in Galizan history: April 1846 and the Galizan Uprising

28/04/2019

What happened in Galiza in April 1846? Was it some revolt over tax issues? Or was it a war of independence? Well…

[It] was an uneven but obvious open military conflict between two opposing parties representing different national interests.

Don’t miss the full article on Galiza Livre (in English) and learn about how the Galizan people and self-organised militias met the Spanish army on the battleground 😉

 

The world is now ready for Galizan Folk Metal: meet Mileth

22/03/2019

(publicado aqui em galego)

Mileth are as Galizan as they come. Says a Galizan.

Galiza is a stateless nation – currently an autonomous territory with partially devolved powers – in the north-west corner of the Iberian Peninsula, with a language and culture very much of its own.

Among other things, we love to boast about our folk music, so welcomed in major Celtic music festivals and where not.
Yet while my folkie side has always been more than content with our traditional music, my metalhead soul felt something was missing…

Sure, I have enjoyed others’ fantastic Folk and Celtic Metal for many years, but I’d always wondered why was it that we couldn’t produce our own breed having all the required elements: talented musicians and bagpipes, check; forests and rivers, ravens, mountains, dark oceans and stuff: check; kick ass mythology and legends, hell, double check!

And then Mileth came.

To be fair they have been around since 2009, but it is now, when they’ve had the chance to record a proper album with decent production, that they have unleashed the talent, plenty of it.
Catro Pregarias no Albor da Lúa Morta” (SoundAge Productions – Darkwoods, 2019) brings the richness of our music to the international Metal scene, and it’s refreshing.
Mileth’s music combines the right mixture of genuine native folk, in Galizan language, and raw unapologetic Metal that can be understood by all.

The opening track, O Son do Buxo Baixo a Sombra do Xistral, is an early statement of what this is going to be about: a number of voices (screeching and clean, male and female, choirs and not), rhythmic and melodic progressions, and an overall tasteful musicality.
De Bruma e Salitre is the chosen single and deservedly so. Do yourselves a favour and watch the evocative official video in order to get what Mileth’s proposal is all about, musically and conceptually.
Do Morto e Espiral Silencio (Interludio a Bríxida) is a bridge song, an invocation (nothing wrong with that), linking to Esperta, Letárxica e Erma Fraga! which, if you are Galizan and you are a metalhead, and you have functioning ears, will make your hair stand on end as you’ll immediately recognise many typical Galizan folk elements.
Ela, Que Camiña Sobre as Raíces do Frío Inferno is a nice instrumental gently leading us to another jewel, the mammoth of a song that is Petros, Axioma da Terra. The lads and lasses open the flood gates here. This song alone is a testament to contemporary Galizan – and I dare to say Folk Metal – music. Period.
Da Mitolóxica Errante: ITH is the last big firework, citing some of the greatest characters of our ancient mythology. The last two tracks, No Albor da Lúa and Cuarta Pregaria na Lúa Morta, smoothly glide into a quieter beautiful place, carrying you in that spiral. I can’t have enough of the vocals and the bagpipe solo (yes!) in the last one.

Is it a perfect album? If I’m to be picky and nasty and snobbish I could say I would have done this or that differently, maybe changed the bass and drum sound a tad, the only reason why I give it a 9 out of 10.

So we had in Galiza all the right ingredients to do this all along, but Mileth were the first to somehow conjure the spirits up. Well done. Lume! 

Find Mileth at:

– Bandcamp: https://mileth.bandcamp.com/ (the album can be bought through here)
– Facebook: https://www.facebook.com/pg/mileth.official
– Instagram: https://www.instagram.com/mileth.official/

 

PS. This text was translated and published in Galizan on the news portal Galiza Livre (5 April 2019), and republished in the above English version on the 8th.

Mario Alinei, a Continuidade Paleolítica e a Galiza

01/09/2018

No ronsel da despedida do grande Professor, quero agradecer agora a publicaçom dum artigo meu no portal Galiza Livre.

Até parece que se fala mais do PCP que do próprio Alinei, mas é que sem o Alinei nom haveria PCP e sem PCP nom “recentraríamos” à Galiza nestes debates.

Assim que em última instância a honra toda vai sempre para o grande Professor 🙂

… como poderíamos deixar de salientar a figura que deu forma ao, talvez, modelo definitivo no estudo dos autênticos alicerces da Europa? A quem possibilitou demonstrar as outrora “lendas” e transformá-las em documentos anexos da realidade científica? A pessoa que – sem querer, mas a verdade é teimuda – colocou à Galiza no berce dos celtas e, à vez, longe de imperialismos e supremacismos?

Texto na íntegra aqui (em linha), ou em pdf (286kb).