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Entrevista com o Benozzo – Interview with Benozzo

20/06/2018

[GL] Foi mesmo bom entrevistar o Prof. Francesco Benozzo antes da sua palestra e concerto na Galiza. Apresento aqui umha versom bilíngue. Desfrutem da leitura tanto como desfrutei eu fazendo as perguntas.

[EN] It was absolutely great to interview Prof. Francesco Benozzo before his talk and concert in Galicia. Scroll down for the English version and enjoy reading as much as I did asking the questions.

 

Versom em galego – Galician version

  • A palavra “Atlântida” aparece no título da sua palestra. Nom é isto um simples conto, um mito, um produto da imaginaçom?

Muitos exemplos de diferentes contextos mostram claramente que, desde umha perspectiva etno-filológica, deveríamos ser capazes de considerar qualquer documento como umha pista preciosa na reconstruçom dum sistema de percepçons, e tamém considerar a maneira na que o nosso cérebro foi moldado e “educado” para poder criar imagens e conexons entre elas.

O mito da Atlântida é um “relato”, claro, e precisamente por isso é que é um elemento realmente precioso no que eu chamo discurso científico, particularmente um filológico. Estou convencido da ideia de que os celtas provenhem da Galiza e Norte de Portugal e, como tais, forom assim identificados nas primeiras fontes escritas como os construtores da grande cultura megalítica atlântica. Isto, por sua vez, pode dar resposta (umha das possíveis respostas) à enigmática história da Atlântida narrada por Platom, mas nom só por ele.

O território de Ponte Vedra, por exemplo, guarda fragmentos de informaçom inesperados e decisivos do mito da Atlântida, indicando que este relato tamén lida com a história.

 

  • Com que confiança podemos acudir aos mitos na pesquisa e estudo da pré-história? Som realmente válidos?

Há muitos estudos de caso (poderia citar aqui a minha investigaçom sobre nomes de dialectos e lendas de megálitos nos países celtas) onde a existência dumha lenda ou conto dum antigo mito apoia as conclusons dos arqueólogos, e vice-versa.

Mas para mim, antes de mais nada, é importante mudarmos a nossa ideia estratigráfica dos mitos como pertencentes a umha cosmogonia, seguidos por lendas e depois por contos de fadas. De facto, há umha continuidade ininterrupta que nos permite considerar os etno-textos de hoje como pertencentes a um estrato ainda mais arcaico que os registos escritos de mitos ancestrais. Este é o ponto crucial da filologia moderna entendida como etno-filologia, que afecta assim tamém o nível linguístico de forma decisiva.

 

  • Você tem identificado a Galiza e Norte de Portugal – a velha Callaecia – como o berce da cultura celta. Quando é que podemos começar a falar dos e das celtas como umha cultura bem definida?

Os celtas eram os pescadores da fachada atlântica do Paleolítico tardio e do Mesolítico. Como mostrei em muitos estudos, estamos obrigados a datar a sua etno-gênese por volta de 15.000 anos atrás, no mínimo. Um grande número de elementos do léxico celta só pode ser explicado de maneira plausível dentro dessa estrutura pré-histórica.

 

  • Muitos ligam a cultura celta exclusivamente à língua e, portanto, neglicenciam outros aspectos que definem umha cultura como as crenças e cosmovisom, humor e psicologia, leis e costumes, paisagem cultural e apropriaçom do território, etc.
    Seguindo este razoamento, essas mesmas vozes afirmam que nunca existiu umha verdadeira “cultura celta” ou “civilizaçom” como tal, tam só umha colecçom de línguas inter-relacionadas nalguns territórios vizinhos e vagamente conectados.
    Que é o que pensa disso?

Conheço o problema, mas este é um tipo de linguística que nas últimas décadas, depois dos anos gloriosos quando forneceu amplos conhecimentos sobre diferentes culturas, esqueceu considerar que as línguas som só umha parte – mesmo se frequentemente a mais importante – do que agora chamamos “cultura” (desde umha perspectiva antropológica).

Seica muitos colegas, depois de ficarem “bêbados” com tantos cocktails baseados em teorias laríngeas, abstracçons algébricas e outros combinados tóxicos, esquecerom que por trás das línguas que estudamos havia e há pessoas vivas, e que por trás dos registos escritos e elitistas documentados em fontes antigas havia línguas faladas, transmitidas oralmente, possivelmente desde há milhons de anos.

 

  • Além do seu perfil académico, teremos a fortuna de desfrutar dos seus talentos musicais que já lhe trouxerom fama arredor do mundo. Há aqui umha pergunta obrigada entom: Por quê Bowie?

Porque ele representa dalgum jeito o oposto do que eu represento. Comecei a escrever um livro sobre ele que passeninhamente virou numha confrontaçom com a sua ideia de arte, poesia e o papel dos artistas nas culturas contemporâneas. Contudo, isto como que acabou por transformar-se numha de reflexom autobiográfica sobre a minha poesia e música.

Nunca fora um grande fã do Bowie, mas estudando as suas obras entendi que o que mais me atrai da sua arte é a sua busca obsessiva da beleza. Percebo-o como umha espécie de cavaleiro errante entregado à utopia, em contraste com as derivas da arte contemporânea cara mundos distópicos e percepçons distópicas do mundo.

 

  • Pode falar-nos sobre o processo de adaptar o Bowie a harpa céltica?

Houvo algumhas dificuldades técnicas. Por exemplo, as harpas célticas e bárdicas som instrumentos diatónicos, sem semitons nem meias-notas. Os arranjos e melodias do Bowie muitas vezes lidam exactamente com essas partes intersticiais do espaço musical. Isto significa que tivem que “secar” – se é que posso usar esse verbo – as suas cançons, tentando trabalhar etimologicamente nalguns casos, e depois traze-las outra vez ao seu possível “esquelete essencial”.

Mais do que umha adaptaçom eu diria que foi, e continua sendo, um diálogo.

 

  • Que descobriu nesta nova exploraçom da sua música que nom soubera antes?

Como comentei, nom sabia muito dele antes (e isso mesmo motivou o meu interesse nele). Mas tenho que admitir que, depois de ouvi-lo, estudar as suas entrevistas, ler grande parte das monografias escritas sobre ele, e depois de ter escrito eu um livro sobre ele e gravado um CD inspirado nas suas cançons, sei menos sobre ele do que sabia antes.

A sua arte é ampla e complexa e ainda representa um grande mistério para mim, talvez ainda mais irresolúvel que o mistério da Atlântida.

 

  • Tem explicado no passado como é que se vê a você mesmo como poeta, músico e académico tudo em um só. Como é de importante para umha pessoa tentar nom ser confinada a umha “categoria” de por vida?

Esta possibilidade é, talvez, a definiçom da própria vida. Acho que todos e todas nos percebemos dentro desta possibilidade aberta e irredutível de agirmos constante e simultaneamente (e entom sermos) diferentes aspectos do que somos. Esta é a única definiçom aceitável de unidade e de ser individual.
Cuido que é crucial olhar para nós mesmos numha perspectiva diferente – e às vezes a partir da perspectiva exatamente oposta – daquela na que vivemos. Lugares, pessoas e indivíduos só vivem dentro doutros lugares, pessoas e indivíduos, nunca ressonância contínua e criativa que dá sentido às cousas.

 

Em verdade nom o sei. Mas a minha verdadeira esperança seria encontrar o Sr. David Bowie enquanto falo sobre a Atlântica, e descobrir o mítico continente perdido enquanto canto e toco as suas cançons.

 

English version – Versom em inglês

  • The word “Atlantis” features in the title of your talk. Is that not just a tale, a myth, a product of imagination?

A lot of examples from different contexts clearly show that – in an ethno-philological perspective – we should be able to consider any kind of document as a precious clue in the reconstruction of a system of perceptions, and also consider the way in which our brain has been shaped and “educated” in order to create images and connections among them.

The Atlantis myth is a “story”, of course, and just because of that it is a really precious element for what I call a scientific discourse, particularly a philological one. I am persuaded by the idea that the Celts do come from Galicia and North Portugal and, as such, were also identified in the earliest written sources as the builders of the great megalithic Atlantic Culture. This, in turn, can give an answer (one of the possible answers) to the enigmatic story of Atlantis as narrated by Plato, but not only by him.

The territory of Pontevedra, for example, guards unexpected and decisive fragments of information of the myth of Atlantis, indicating that this story also deals with history.

 

  • How reliable can myths be in the actual research and study of pre-history? Are they valid at all?

There are many case studies (I could quote here my research on dialect names and the legends of megaliths in the Celtic countries) where the existence of a legend or the tale of an ancient myth give evidence to the conclusions reached by archaeologists, and vice-versa.

But for me, first of all, it is important to change our stratigraphic idea of myths as ancient tales belonging to a cosmogony, followed by legends and then by fairytales. Actually, there is an uninterrupted continuity that allows us to consider today’s ethno-texts as even more archaic strata than the written records of ancient myths. This is a crucial point of modern philology understood as ethno-philology, thus most definitely affecting the linguistic level as well.

 

  • You have identified Galicia and North Portugal – the old Callaecia – as the cradle of Celtic culture. When can we actually start talking about Celts as a well-defined culture?

The Celts were the late-Paleolithic and Mesolithic fishermen of the Atlantic façade. As I have shown in many studies, we are obliged to date their ethno-genesis at about 15,000 years ago, at least. A great number of elements of the Celtic lexicon can only be plausibly explained within this prehistoric framework.

 

  • Many link Celtic culture exclusively to language, thus neglecting other aspects which define a culture such as beliefs and worldview, humour and psychology, law and customs, cultural landscape and appropriation of the territory, etc.
    Following this reasoning, those same voices claim that there never was a proper “Celtic culture” or “civilisation” as such, just a collection of related languages in some neighbouring and loosely connected territories, both in the past and today.
    What do you think of that?

I know the problem, but this is a kind of linguistics which in the last decades, after the glorious years when it brought a lot of knowledge about different cultures, has forgotten to consider that languages are only a part – even if often the most important – of what we now call “culture” (from an anthropological perspective).

It seems that many colleagues, after getting “drunk” from too many cocktails based on laryngeal theories, algebraic abstractions and other toxic mixes, have forgotten that behind the languages we study there were and there are living people, and that behind the written and elitarian records documented in ancient sources there were spoken languages, orally transmitted, possibly since millions of years ago.

 

  • Other than your academic side, we will be lucky enough to enjoy your musical talents which have brought you fame around the world. Yet, there is a compulsory question here: Why Bowie?

Because he represents in some ways the opposite of what I represent. I started writing a book about him which slowly became a confrontation with his idea of art, poetry and the role of artists in contemporary cultures. Incidentally, this also sort of became an autobiographic reflection about my poetry and my music.

I had never been a big fan of Bowie, but by studying his works I understood that what attracts me the most in his art is his obsessive search for beauty. I perceive him as some kind of knight errant devoted to utopia, in contrast with the drifts of contemporary art towards dystopic worlds and perceptions of the world.

 

  • Can you tell us about the process of adapting Bowie to Celtic harp?

There were some technical difficulties. For example, Celtic and Bardic harps are diatonic instruments, without semitones and half-notes. Bowie’s arrangements and melodies very often deal exactly with these interstitial parts of the musical space instead. This means I had to “dry up” – if I can use that verb – his songs, trying to work etymologically in some cases, and then bringing them back to their possible “essential skeleton”.

More than an adaptation I would say it was, and continues to be, a dialogue.

 

  • What did you discover in this new exploration of his music that you didn’t know before?

As mentioned, I didn’t know much about him before (and that did trigger my interest in him eventually). But I have to admit that, after listening to him, studying his interviews, reading the most part of monographies written about him, and after writing myself a book about him and recording a CD inspired by his songs, I know less about him than I knew before.

His art is wide and complex and it still represents a great mystery to me, maybe even more unsolvable than the mystery of Atlantis.

 

  • You have explained in the past how you see yourself as being a poet, musician and academic all rolled into one. How important is it for a person to try and not be pigeon-holed in one “category” for life?

This possibility is, maybe, a definition of life itself. I think that everyone perceives himself/herself inside this open-framed and irreducible possibility of constantly and simultaneously acting (and then being) different aspects of what she/he is. This is the only acceptable definition of unity and of individual being.

I find that it is crucial to look at ourselves in a different perspective – and sometimes from the exact opposite perspective – from the one where we are living. Places, people and individuals only live inside other places, people and individuals, in a continuous and creative resonance which gives sense to things.

 

I don’t really know. But my real hope would be to find Mr. David Bowie while talking about Atlantis, and to discover the mythical lost continent while singing and playing his songs.

 

Esta entrevista foi publicada por primeira vez em Durvate.org

This interview was first published at Durvate.org (13/06/18)

 

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Benozzo na Galiza, no seu melhor

01/06/2018

Umha vez rematadas as VII Jornadas Galego-Portuguesas em Pitões é tempo para a nova “aventura do verám”, e que aventura! 🙂

Benozzo is coming to town, e vai desembarcar com todo o seu saber e talento, desde o aspecto do rigoroso catedrático até o genial poeta e músico. Para quem nom conheça, este inovador catedrático anarquista, candidato ao Nobel de Literatura e figura artística de primeiro nível é já um velho conhecido a quem no seu momento tive a honra de fazer esta informativa entrevista para umhas outras jornadas em Pitões, mas é que agora vem cá a casa…

Assim pois, quem tenha a tarde do Sábado 30 de Junho livre e queira passar por Ponte Vedra poderá desfrutar connosco  desta deliciosa tolémia (mais detalhes na ligaçom):

  • 19:00 – Palestra “Os celtas atlânticos da Galiza e o mito da Atlântida: evidência científica para umha velha lenda?” (em inglês com traduçom simultânea ao galego).
  • 19:45 – Quenda de perguntas e debate.
  • 20:30 – Descanso.
  • 21:00 – Concerto, com versons em harpa do repertório de David Bowie, parte da digressom europeia YTIDDO – Benozzo performs Bowie.

Vinde que vai prestar!

 

The intangibles

25/04/2018

 

There is much in history and (social) sciences that can be quantified and measured, and hence proper studies made and more than reasonable conclusions reached. I even dare to think of myself as a “cultural geographer” on indefinite hiatus, and often fantasise with putting together all the perceptual elements linking the Irish and Galician views, appropriation and use of space – the living territory – one of these days.

But then one hits the intangibles, that which cannot be perceived by the senses, impervious to analysis, impalpable, out of reach to mere humans perhaps. Yet they do exist.

Maybe someday I’ll manage to simply list (let alone systematising or rationalising anything) the countless shared elements in both countries, the plethora of personal experiences intuitively connecting the dots along the so-called Celtic Nations, the all too frequent moments of “you’ll have to take my word for it” because “jaysus bhoy, this is exactly the same where I come from, in a weird and almost creepy way and I can’t even start putting into words”. That sort of thing.

Bertie, you crook. Apart from the language barrier, you could be any of a thousand Galician politicians, and any of them could happily join the ranks of Fianna Fáil (or Fine Gael for that matter); nobody would notice. I knew you before I ever heard your name, and you will continue to run for our elections after you are dead. Just like giving directions in a most peculiar way, or messing with field markers, you are an intangible.

I honestly wish I could convey how Galicia and Ireland are joined at the hip on so many levels, through so many layers. It is so obvious and still so hard to verbalise it’s painful. You’ll have to take my word for it.

Something new, something original

07/02/2018

And as far as I know the only one of its kind: a Galician language and culture course through English!

With yours truly 🙂

This is addressed to anyone who want make the most of their stay in Galicia, or simply get to know better their new home (in case they’re settled for good).

You know, it’s about really understanding the place, not just “passing by” or “spending some time in Spain [sic]”.

In fact, it can be done as much language-oriented or culture-oriented as desired. It’s not supposed to follow the typical boring class routine.

For more details > click here <

PS. This is intended for native English speakers or fully proficient adults, meaning that English will be the means to explain weird Galician stuff 😉

Um novo invento: o ‘Plan Básico Autonómico’

13/01/2018

[Este artigo de opinião foi publicado originalmente no portal de informação GalizaLivre.com, 11 Janeiro 2018]

Mais papel molhado da Xunta(*) que, a estas alturas, já demonstrou que o tema territorial na Galiza fica fora do seu alcance, bem seja voluntariamente por interesses político-económicos ou involuntariamente por pura incompetência, onde já nem sei o que é mais grave.

Este documento de suposto ordenamento territorial continua sem ir à raiz do problema apesar das décadas de trabalhos, críticas e investigações sobre o assunto, quer dizer, a falta dum grande plano nacional galego onde fixar o modelo territorial preferido para o País a meio e longo prazo, guia de toda actuação espacial posterior.

Não. Continuamos na mentalidade do município como centro do universo (tão rendível eleitoralmente) e planos de propósito que funcionam como meros remendos, se é que funcionam.

E ainda o mais alarmante continua sendo a total falta de respeito às mínimas formas que regem o chamado ‘planeamento estratégico’, que exige uma exposição pública o mais aberta e participativa possível. Digo isto porque como cidadão galego fui conhecedor do tal PBA por uma via que não deveria, mais tarde do que deveria, sem saber o que deveria.

Não. Uma nota numa página qualquer no web da Xunta e um visor técnico perdido na rede não abonda.
Obviamente, tapam-se assim erros e omissões flagrantes como o referente ao património cultural em Corcoesto, entre outros, limitando a capacidade de resposta e apresentação de emendas e alegações (o tal período de dous meses começo o 14 de Dezembro).

Há mais detalhes, mas fiquemos com a velha ideia de que estamos, no geral, em mãos de incompetentes.

Ano 2018. É cansativo.

 

(*) Governo [sic] Galego.

Queimaram a Galiza (e mais que há arder)

23/10/2017

Foi um ataque à Galiza, mas não de mãos de “quatro tolos”. Foto: Galiza Contrainfo.

O tema dos incêndios florestais na Galiza (e Portugal) responde verdadeiramente a causas complexas das que muito têm falado, e bem, pessoas que sabem melhor do que eu como funciona e que precisa o monte (aqui uma análise mais geográfica e esquemática).

Até parecia que em Portugal começavam a activar nova legislação ao respeito… Mas para esta última vaga de fogos não chegou a tempo.

Cobiça, desleixo, incompetência, ignorância, desordem, o cancro de ENCE-ELNOSA e os seus eucaliptos, etc. Elementos combinados que precipitam eventos que não acontecem no nosso entorno geográfico natural (Europa Atlântica), nem em lugares com condições físicas semelhantes às nossas e que contam com massas florestais imensas onde nunca arde nada, além de genuínos acidentes naturais ou muito escasas negligências humanas. Realmente, aqui “ocupa-se o território para que o sistema capitalista tenha espaços para extrair matérias primas“. Disque isso é uma característica dum colonialismo de livro.

No caso galego, ademais, o problema vê-se agravado por uma ingerência forânea secular que resulta numa desorganização territorial geral. A recentemente aprovada “Lei de Fomento das Iniciativas Empresariais en Galicia“, a.k.a. Lei de Depredação da Galiza, é boa mostra, abrindo a porta à instalação de todo tipo de indústrias pesadas, nomeadamente minaria, mesmo em zonas ambientais protegidas. Isto dias depois de terem queimado 48.100 hectares. Dissimulos para quê?

Aqui recomendo (desculpas pela auto-cita mas acho que vem à tona) uma entrevista onde falei de forma resumida da desfeita territorial generalizada deste País. Para quem quiser algo mais heavy e elaborado está este texto académico que vem sendo um resumo da minha tese de MPhil sobre o caos do planeamento territorial galego, ou mais bem, da sua falta.

Por enquanto, estaremos nas ruas.

PD. Manifesto da IDG, onde faço parte activa, claro.

 

I can see my hillfort from here!

28/06/2017
An amazing tool is now publicly available online, and this is no other than the “Atlas of Hillforts of Britain an Ireland“, listing 4,174 hillforts with some basic information on each one. Delighted to see UCC taking part there too!
Yet, this makes me wonder about the situation over here…. I mean, 4,174 hillforts in an area of 315,159 km², where Galicia proper (29,575 km²) is estimated to have housed +5,000.
Unfortunately, lack of research – or better say no budget and no interest from the administration – makes this figure just that, an estimate.
Still, the most conservative count goes for an equally impressive 1,300 (in relation to size), plus 992 currently catalogued in Northern Portugal (there sure were a lot more), and a couple of extra hundred in the rest of eastern Galician territories now outside “official” Galicia.
In any case, such numbers and locations speak volumes in Geography. Namely, one realises that (dating questions aside):
– It is the same settlement pattern but on a different scale, where the smaller (more dense) scale always predates the larger (less dense) scale.
– It is one more evidence of an identical cultural landscape(*)
– Therefore, the settlement model traveled northwards (multidisciplinary research insists on making this plainly evident).
But hey, let the fools over here keep babbling about how “there are no hillforts in the Isles”, or the other idiots over there yapping away on how “hillforts are unique and indigenous to the Isles”. Oh my, idiots everywhere 🙂
(*) Cultural landscape is defined as the environment modified by the human being in the course of time, the long-term combination between anthropic action on this environment and the physical constraints limiting or conditioning human activity. It is a geographical area – including natural and cultural resources – associated to historical evolution, which gives way to a recognizable landscape for a particular human group, up to the point of being identifiable as such by others. (Paredes, 2015a).

A conservative view on the spatial distribution of Galician “castros” (hillforts). Will they ever get properly catalogued? A rhetorical question, I know.