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Queimaram a Galiza (e mais que há arder)

23/10/2017

Foi um ataque à Galiza, mas não de mãos de “quatro tolos”. Foto: Galiza Contrainfo.

O tema dos incêndios florestais na Galiza (e Portugal) responde verdadeiramente a causas complexas das que muito têm falado, e bem, pessoas que sabem melhor do que eu como funciona e que precisa o monte (aqui uma análise mais geográfica e esquemática).

Até parecia que em Portugal começavam a activar nova legislação ao respeito… Mas para esta última vaga de fogos não chegou a tempo.

Cobiça, desleixo, incompetência, ignorância, desordem, o cancro de ENCE-ELNOSA e os seus eucaliptos, etc. Elementos combinados que precipitam eventos que não acontecem no nosso entorno geográfico natural (Europa Atlântica), nem em lugares com condições físicas semelhantes às nossas e que contam com massas florestais imensas onde nunca arde nada, além de genuínos acidentes naturais ou muito escasas negligências humanas. Realmente, aqui “ocupa-se o território para que o sistema capitalista tenha espaços para extrair matérias primas“. Disque isso é uma característica dum colonialismo de livro.

No caso galego, ademais, o problema vê-se agravado por uma ingerência forânea secular que resulta numa desorganização territorial geral. A recentemente aprovada “Lei de Fomento das Iniciativas Empresariais en Galicia“, a.k.a. Lei de Depredação da Galiza, é boa mostra, abrindo a porta à instalação de todo tipo de indústrias pesadas, nomeadamente minaria, mesmo em zonas ambientais protegidas. Isto dias depois de terem queimado 48.100 hectares. Dissimulos para quê?

Aqui recomendo (desculpas pela auto-cita mas acho que vem à tona) uma entrevista onde falei de forma resumida da desfeita territorial generalizada deste País. Para quem quiser algo mais heavy e elaborado está este texto académico que vem sendo um resumo da minha tese de MPhil sobre o caos do planeamento territorial galego, ou mais bem, da sua falta.

Por enquanto, estaremos nas ruas.

PD. Manifesto da IDG, onde faço parte activa, claro.

 

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I can see my hillfort from here!

28/06/2017
An amazing tool is now publicly available online, and this is no other than the “Atlas of Hillforts of Britain an Ireland“, listing 4,174 hillforts with some basic information on each one. Delighted to see UCC taking part there too!
Yet, this makes me wonder about the situation over here…. I mean, 4,174 hillforts in an area of 315,159 km², where Galicia proper (29,575 km²) is estimated to have housed +5,000.
Unfortunately, lack of research – or better say no budget and no interest from the administration – makes this figure just that, an estimate.
Still, the most conservative count goes for an equally impressive 1,300 (in relation to size), plus 992 currently catalogued in Northern Portugal (there sure were a lot more), and a couple of extra hundred in the rest of eastern Galician territories now outside “official” Galicia.
In any case, such numbers and locations speak volumes in Geography. Namely, one realises that (dating questions aside):
– It is the same settlement pattern but on a different scale, where the smaller (more dense) scale always predates the larger (less dense) scale.
– It is one more evidence of an identical cultural landscape(*)
– Therefore, the settlement model traveled northwards (multidisciplinary research insists on making this plainly evident).
But hey, let the idiots over here keep babbling about how “there are no hillforts in the Isles”, or the other idiots over there yapping away on how “hillforts are unique and indigenous to the Isles”. Oh my, idiots everywhere 🙂
(*) Cultural landscape is defined as the environment modified by the human being in the course of time, the long-term combination between anthropic action on this environment and the physical constraints limiting or conditioning human activity. It is a geographical area – including natural and cultural resources – associated to historical evolution, which gives way to a recognizable landscape for a particular human group, up to the point of being identifiable as such by others. (Paredes, 2015a).

A conservative view on the spatial distribution of Galician “castros” (hillforts). Will they ever get properly catalogued? A rhetorical question, I know.

Nem toda a cúria de Roma…

10/05/2017

… vai impedir que celebremos as VI Jornadas Galaico-Portuguesas e o nosso encontro de Maios 😉 Note-se, aliás, a ligeira mudança de nome a respeito de edições anteriores.

O programa é – acho – de luxo, contando ainda com uma nova participação do Prof. Francesco Benozzo, nesta ocasião na sua vertente de (melhor?) harpista céltico vivo. Se não acreditam vejam o vídeo no final deste texto.

Eis o programa completo:

  • Sábado 13 de Maio

1º Painel: Apresenta Maria Dovigo
10:00 – Apresentação das Jornadas
10:30 – Íria-Friné Rivera: “Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega”
11:30 – Joám Evans: “Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica”
12:30 – Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (F. Benozzo & Marcel Otte) [em inglês com tradução ao português]

13:30 – Almoço

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo
16:30 – Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”
17:30 – Mesa redonda e debate aberto: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”
20:00 – Concerto: “Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas”, a cargo de Francesco Benozzo (voz, harpa céltica e harpa bárdica)

22:00 – Churrascada popular

  • Domingo 14 de Maio

10:00 – Visita à aldeia desabitada de Juris (castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (antigo nemetão céltico)
13:00 – Clausura
14:00 – Comida de Irmandade

  • Participantes:

Sra. Doutora Maria Dovigo, Academia Galega da Língua Portuguesa
Sra. Dra. Íria-Friné Rivera, Universidade da Corunha
Sr. Dr. Joám Evans, Academia Galega da Língua Portuguesa
Prof. Doutor Francesco Benozzo, Universidade de Bolonha / Candidato a Prémio Nobel
Sr. Doutor Joaquim Palma Pinto, Centro de Estudos de Filosofia (UCP) / ATDL

Mais informações tanto na página do DTS como da IDG.

Defender o sagrado

13/01/2017

A vida, a liberdade, a terra e a natureza, os nossos direitos, a justiça social, os seres queridos… Poderíamos fazer uma lista de tudo aquilo sagrado para nós, tudo aquilo ao que nunca renunciaríamos e defenderíamos com todas as nossas forças, tudo aquilo com que nos importamos e até nos define como pessoas no seu exercício ou na sua mera defesa. Não é para menos, é sagrado.

Umas reflexões pessoais em modo de breve artigo de opinião sobre a visão religiosa/espiritual de temas de actualidade, o seu tratamento nos mídia e certos preconceitos ocidentais ainda presentes até nos círculos mais progressistas.

A leitura continua na fonte original em Diário Liberdade… 🙂  (ou em pdf >aqui< – 50kb).

 

Did we invent Halloween as well?

24/10/2016

magusto_galaicoGhosts, bats, witches, and pumpkins and Dracula and… Well, Dracula shouldn’t be on the list.

What is Halloween after all, beyond the commercial trap? Sure, most compatriots think it’s just that: a new fad for kids to make parents spend more and for adults to have (yet another) excuse for a crazy night out. Still, they are neglecting the fact that this ancient celebration actually is part of our own heritage as a People, having little to do with the contemporary Hollywood portrayal and the shopping centre frenzy.

I’d like to invite you to read the following article, written by a friend of mine and well-versed researcher. It might come as a surprise to some… 🙂

I had always had a certain reluctance in accepting Halloween entering our lives. It is a tradition that we use to link with the USA, with the carved pumpkins and horror costumes, so popularised in the films. This all reached us when shops started to adopt Halloween paraphernalia in their decorations. They found there a new business opportunity that filled the gap between Summer and Christmas. Yet, when we were children, the night of October 31st was always known as ‘Night of the Witches’, and I remember waiting in vain until midnight in the hope of glimpsing some witch crossing the sky on her broom.

The truth is that the way Halloween was aggressively introduced and promoted also contributed to that reluctance of mine. Plus… [CONTINUE READING]

Galicia Unveiled, for those who dare!

13/07/2016

Gz_Unveiled_largelogoI’m happy to announce a new project I’ve been working on, something different to what I normally do. Or maybe not.

I mean, I spend many of my waking hours talking about my own country and travelling around anyway, trying to raise awareness about it and encouraging people to get to know it, so why not doing it in an organised fashion? What better way than a tourism venture to combine all that? It almost sounds like the perfect job: getting paid for sharing your own passion 🙂 (yet, I won’t quit teaching and researching, of course)

Well, this is Galicia Unveiled, a travel experience specifically designed for those wishing to discover Galicia in a very personal way. Do check the website for all the information and, needless to say, do like and follow the Facebook and Twitter profiles.

Galicia Unveiled comes to life through a partnership with the household names Viajes Deza and Autocares Cuíña.

Palestra sobre fusões municipais e demais desfeitas

18/04/2016

Cercedo CotobadeEsta sexta 22 de Abril às 20h estaremos no Cento Social Gorgullón (Ponte Vedra) a convite da A.C. Amigas da Cultura, partilhando informações e pondo em comum ideias com os vizinhos e vizinhas afectadas pela anunciada “fusão” dos concelhos de Cerdedo e Cotobade.

Falaremos do caos geral do ordenamento territorial galego e como isso deu passo, entre outras cousas, a decisões precipitadas e perigosas como este novo invento político.

Falarei eu, mas o mais interessante será escutar à Rita Iglesias e a toda a gente da plataforma Non á fusión Cerdedo-Cotobade, um grupo cívico que num país normal actuaria (com outro nome) como elemento dinamizador do território e órgão de consulta popular nos processos de planificação estratégica. Aqui são menosprezados, claro.

Evento no facebook >aqui<.

Algo de “literatura” prévia tirado da secção de trabalhos, para quem estiver aborrecido/a:

– [entrevista]: “Galicia precisa dun modelo territorial de aquí a 10, 20, 30 ou máis anos vista”, Praza Pública, em linha (15/04/16).

– (2016b): “En mans incompetentes”, Faro de Vigo (versão curta), em linha (09/04/16), recorte e (*.pdf, 39 kb). Versão extensa publicada no Diário Liberdade, Xornal Tabeirós-Montes (11/04/16) e (*.pdf 717 kb).

– (2016a): “Ti vai fazendo”, Praza Pública, em linha (29/02/16) e (*.pdf, 44 kb). Republicado no Diário Liberdade (03/03/16).

– (2015c): “Nem ordem nem progresso para o nosso território. O (des)ordenamento territorial na Galiza”, R. Inter. Interdisc. INTERthesis, v.12, n. 12, Universidade Federal de Sta. Catarina, Florianópolis, Brasil, p. 95-115 (*.pdf, 1,3Mb).

Cerde-bade-NOM