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Nem toda a cúria de Roma…

10/05/2017

… vai impedir que celebremos as VI Jornadas Galaico-Portuguesas e o nosso encontro de Maios 😉 Note-se, aliás, a ligeira mudança de nome a respeito de edições anteriores.

O programa é – acho – de luxo, contando ainda com uma nova participação do Prof. Francesco Benozzo, nesta ocasião na sua vertente de (melhor?) harpista céltico vivo. Se não acreditam vejam o vídeo no final deste texto.

Eis o programa completo:

  • Sábado 13 de Maio

1º Painel: Apresenta Maria Dovigo
10:00 – Apresentação das Jornadas
10:30 – Íria-Friné Rivera: “Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega”
11:30 – Joám Evans: “Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica”
12:30 – Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (F. Benozzo & Marcel Otte) [em inglês com tradução ao português]

13:30 – Almoço

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo
16:30 – Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”
17:30 – Mesa redonda e debate aberto: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”
20:00 – Concerto: “Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas”, a cargo de Francesco Benozzo (voz, harpa céltica e harpa bárdica)

22:00 – Churrascada popular

  • Domingo 14 de Maio

10:00 – Visita à aldeia desabitada de Juris (castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (antigo nemetão céltico)
13:00 – Clausura
14:00 – Comida de Irmandade

  • Participantes:

Sra. Doutora Maria Dovigo, Academia Galega da Língua Portuguesa
Sra. Dra. Íria-Friné Rivera, Universidade da Corunha
Sr. Dr. Joám Evans, Academia Galega da Língua Portuguesa
Prof. Doutor Francesco Benozzo, Universidade de Bolonha / Candidato a Prémio Nobel
Sr. Doutor Joaquim Palma Pinto, Centro de Estudos de Filosofia (UCP) / ATDL

Mais informações tanto na página do DTS como da IDG.

Defender o sagrado

13/01/2017

A vida, a liberdade, a terra e a natureza, os nossos direitos, a justiça social, os seres queridos… Poderíamos fazer uma lista de tudo aquilo sagrado para nós, tudo aquilo ao que nunca renunciaríamos e defenderíamos com todas as nossas forças, tudo aquilo com que nos importamos e até nos define como pessoas no seu exercício ou na sua mera defesa. Não é para menos, é sagrado.

Umas reflexões pessoais em modo de breve artigo de opinião sobre a visão religiosa/espiritual de temas de actualidade, o seu tratamento nos mídia e certos preconceitos ocidentais ainda presentes até nos círculos mais progressistas.

A leitura continua na fonte original em Diário Liberdade… 🙂  (ou em pdf >aqui< – 50kb).

 

Did we invent Halloween as well?

24/10/2016

magusto_galaicoGhosts, bats, witches, and pumpkins and Dracula and… Well, Dracula shouldn’t be on the list.

What is Halloween after all, beyond the commercial trap? Sure, most compatriots think it’s just that: a new fad for kids to make parents spend more and for adults to have (yet another) excuse for a crazy night out. Still, they are neglecting the fact that this ancient celebration actually is part of our own heritage as a People, having little to do with the contemporary Hollywood portrayal and the shopping centre frenzy.

I’d like to invite you to read the following article, written by a friend of mine and well-versed researcher. It might come as a surprise to some… 🙂

I had always had a certain reluctance in accepting Halloween entering our lives. It is a tradition that we use to link with the USA, with the carved pumpkins and horror costumes, so popularised in the films. This all reached us when shops started to adopt Halloween paraphernalia in their decorations. They found there a new business opportunity that filled the gap between Summer and Christmas. Yet, when we were children, the night of October 31st was always known as ‘Night of the Witches’, and I remember waiting in vain until midnight in the hope of glimpsing some witch crossing the sky on her broom.

The truth is that the way Halloween was aggressively introduced and promoted also contributed to that reluctance of mine. Plus… [CONTINUE READING]

Galicia Unveiled, for those who dare!

13/07/2016

Gz_Unveiled_largelogoI’m happy to announce a new project I’ve been working on, something different to what I normally do. Or maybe not.

I mean, I spend many of my waking hours talking about my own country and travelling around anyway, trying to raise awareness about it and encouraging people to get to know it, so why not doing it in an organised fashion? What better way than a tourism venture to combine all that? It almost sounds like the perfect job: getting paid for sharing your own passion 🙂 (yet, I won’t quit teaching and researching, of course)

Well, this is Galicia Unveiled, a travel experience specifically designed for those wishing to discover Galicia in a very personal way. Do check the website for all the information and, needless to say, do like and follow the Facebook and Twitter profiles.

Galicia Unveiled comes to life through a partnership with the household names Viajes Deza and Autocares Cuíña.

Palestra sobre fusões municipais e demais desfeitas

18/04/2016

Cercedo CotobadeEsta sexta 22 de Abril às 20h estaremos no Cento Social Gorgullón (Ponte Vedra) a convite da A.C. Amigas da Cultura, partilhando informações e pondo em comum ideias com os vizinhos e vizinhas afectadas pela anunciada “fusão” dos concelhos de Cerdedo e Cotobade.

Falaremos do caos geral do ordenamento territorial galego e como isso deu passo, entre outras cousas, a decisões precipitadas e perigosas como este novo invento político.

Falarei eu, mas o mais interessante será escutar à Rita Iglesias e a toda a gente da plataforma Non á fusión Cerdedo-Cotobade, um grupo cívico que num país normal actuaria (com outro nome) como elemento dinamizador do território e órgão de consulta popular nos processos de planificação estratégica. Aqui são menosprezados, claro.

Evento no facebook >aqui<.

Algo de “literatura” prévia tirado da secção de trabalhos, para quem estiver aborrecido/a:

– [entrevista]: “Galicia precisa dun modelo territorial de aquí a 10, 20, 30 ou máis anos vista”, Praza Pública, em linha (15/04/16).

– (2016b): “En mans incompetentes”, Faro de Vigo (versão curta), em linha (09/04/16), recorte e (*.pdf, 39 kb). Versão extensa publicada no Diário Liberdade, Xornal Tabeirós-Montes (11/04/16) e (*.pdf 717 kb).

– (2016a): “Ti vai fazendo”, Praza Pública, em linha (29/02/16) e (*.pdf, 44 kb). Republicado no Diário Liberdade (03/03/16).

– (2015c): “Nem ordem nem progresso para o nosso território. O (des)ordenamento territorial na Galiza”, R. Inter. Interdisc. INTERthesis, v.12, n. 12, Universidade Federal de Sta. Catarina, Florianópolis, Brasil, p. 95-115 (*.pdf, 1,3Mb).

Cerde-bade-NOM

Que futuro para Galiza?

15/04/2016
geografia

A Geografia explica tudo. Bom… quase. Mas muito sim, abofé 😛

Agradeço enormemente a entrevista publicada esta manhã no jornal Praza Pública, com o título (adaptado) “A Galiza precisa dum modelo territorial de aqui a 10, 20, 30 ou mais anos vista“.

Conduzida por Marcos Pérez Pena, falo um bocado dalgumas das minhas teimas patriótico-geográficas sem tentar aborrecer muito ao pessoal: desfeita territorial, falta de planeamento, as improvisadas fusões de concelhos, etc. Fazendo amigos.

A galegos e galegas, que vos vou contar.

A entrevista completa encontra-se na ligação indicada acima, onde à vez podem-se encontrar ligações a outras referências que também vou colocando nesta página inicial e organizando >aqui<.

 

Em mãos incompetentes (sobre a fusão Cerdedo-Cotobade)

11/04/2016

[Este artigo de opinião foi publicado por primeira vez em versão reduzida e com grafia ILG-RAG no jornal diário Faro de Vigo (09/04/16). Foi republicado na versão aqui exibida no Diário Liberdade (11/04/16) e a partir daí noutros meios. Mais textos e trabalhos disponíveis >aqui<]cerdedo-cotobade

Há um refrão em inglês que diz algo assim como “não atribuas à malícia o que pode explicar a ignorância”. É o que começo a crer que acontece neste País nosso.

Quadrou que levava uns tempos falando sobre o ordenamento e planeamento territorial galego quando apareceu a notícia da fusão dos concelhos de Cerdedo e Cotobade. Quadrou também que chegou até mim uma cópia do “Informe Xustificativo” cerdedense, e da incredulidade passei a lembrar o dito acima: quem escreveu tal cousa seguramente nunca viu diante uma memória geográfica, um informe territorial, um estudo de campo profissional, nem nada parecido.

O texto autocomplacente mistura uma mera enumeração de elementos com conclusões sem fundamento, como o mago que fai um truque sem sabermos como.

Esqueçamos por um instante que algo tão sério como uma fusão municipal deveria ir acompanhada como mínimo por um plano municipal completo, para que o novo concelho tivera alguma esperança de vida no momento da sua gestação. Esqueçamos que tal plano deveria responder à chamada ‘planificação territorial estratégica’, que é como se fazem estas cousas pelo mundo (não há que inventar nada) e que na nossa Terra é, por desgraça, ficção científica. O facto é que o nomeado informe não tem valor técnico e chega a afirmações erradas baseadas em dados parciais e sem contraste.

Começa bem, curiosamente, quando no primeiro parágrafo afirma-se que “o marco territorial está obsoleto e non responde [ás] características actuais da sociedade galega”. Efectivamente, é uma desfeita, e as províncias/deputações e municípios são parte intrínseca desse problema, mas não pelo que o concelho de Cerdedo suspeita. Este é um debate tão velho e documentado como a mesma aparição dessas províncias e municípios a partires de 1833, que vieram a rachar coa estrutura espacial galega tradicional, criando toda uma série de desajustes que sofremos desde então.

Seguem-se depois obviedades (“as previsións demográficas de ambos concellos empezan a ser preocupantes” – começam?), momentos de vergonha alheia (“o proceso de fusión implica o incremento de poboación nunha magnitude que ningún dos preexistentes podería conseguir en décadas” – e se juntáramos cinco melhor), que derivam em especulações (“é lóxico supoñer que a xestión conxunta de servizos suporá un aforro considerable” –  supor algo tão delicado sem contraste de dados é muito arriscado), e falsidades (“importante semellanza territorial entre os concellos”).

Uma olhada rápida ao mapa do novo concelho (embaixo) dá para ver como há duas unidades morfo-geográficas claras, com uma possível terceira no norte-noroeste sem continuidade territorial e que reflexa, aliás, como os concelhos actuais foram mal delimitados já no seu momento. As divisões administrativas bem poderiam ter sido feitas ou refeitas de várias formas diferentes tendo em conta os outros concelhos da contorna. Em todo caso, o novo concelho Cerdedo-Cotobade seria uma estrutura ainda mais deslabaçada, que continuaria a actuar como dous, ou mais, blocos independentes. Além disso, as fotocopias com estatísticas e gráficas diversas – anexas como ‘prova definitiva’ e onde devemos jogar à dedução e ao ‘encontra as semelhanças’ pela nossa conta – não são analisadas em paralelo, seguramente porque ao extrapolarmos dados e percentagens vemos que as dinâmicas sócio-económicas de ambos concelhos sim apresentam diferenças, diferenças que terão que ser harmonizadas seguindo um detalhado plano de… ah, que não havia plano.

Contudo, o mais rechamante deste caso centra-se na questão demográfica como principal escusa do casamento municipal. O cálculo oficialista vira arredor do axioma ‘a mais população mais ajudas, a mais ajudas menor perda populacional’ (“[a] fusión é un instrumento estratéxico de primeira magnitude para asegurar a supervivencia e sustentabilidade a medio e longo prazo”). Lamentavelmente, não se explica qual é a correlação entre dinheiro e correcção do saldo vegetativo negativo, basicamente porque não é automática. Também não se explica se houve medidas de correcção no passado, quais foram, se falharam e porque falharam, que garante que vaiam funcionar no novo concelho, etc. Há novas projecções e estudos? Dependerá o porvir deste novo super-concelho das esmolas da Xunta para sempre? Em que se vão gastar? Exactamente como se vai garantir o fornecimento de serviços? Porque não se pulou pelo plano comarcal e a colaboração regular dentro desse quadro, fazendo fronte comum entre varios concelhos? São alguns dos aspectos que deveriam estar explicados pelo miúdo. O documento chega até o absurdo de indicar que de não cumprir-se esta união cairia-se na “inacción administrativa”… é assim como vêem a sua própria gestão?

Fala-se de “implantación de actividades económicas e industriais” pois o “novo concello goza dun posicionamento estratéxico derivado da súa boa comunicación”. Agromam mais perguntas cujas respostas também tinham que estar já no papel: São actividades desenvolvimentistas clássicas? A fracassada estratégia de parques industriais? Algo novo? O que? Como? Actividades económicas de que tipo? Vencelhadas ao turismo e património natural e cultural que leva anos sendo ignorado e sepultado por silveiras e parques eólicos? Vai parar o AVE em Cerdedo ou Cotobade depois de fracturar ainda mais o território? Serviria realmente para algo? Vão-se elaborar memórias económicas e sectoriais pormenorizadas com projecções de futuro como parte dum plano final? E seica o novo concelho vai mudar de localização, que agora não está bem posicionado… isso sim é novidade!

Poderíamos comentar os motivos da generalizada perda de população do rural galego, que é outro longo debate e que nos traria de volta ao caos territorial. Como resumo, pode-se dizer que não há um modelo territorial claro para Galiza, uma ideia do que somos e aonde queremos ir. Não há uma referência nem um guia para o planeamento espacial que poida ser utilizada por planos municipais coordenados, entre eles e com outros planos. Cita-se “A Xunta de Galicia tamén realiza un considerable esforzo de apoio aos procesos de fusión”, mas não se repara em que a própria Xunta é a grande responsável dessa falta de modelo. Para rematar, com esta fusão destrói-se alegremente o mapa comarcal (da Xunta) de 1997, isto é, o pouco que talvez algum dia poderia chegar a servir como alternativa vertebradora dos distintos níveis territoriais. A desacertada frase “Os concellos … aínda que pertencentes a distintas comarcas … presentan unha indudable [sic] similitude e continuidade” provoca o desacougo de saber que estamos em mãos desinformadas e portanto, dada a sua responsabilidade pública, incompetentes.

É uma necessidade urgente podermos estabelecer esse modelo territorial consensuado no que implementarmos actuações lógicas e razoadas, sabendo que podemos errar, o cal é humano, mas nunca por causa do desespero, improvisação ou ignorância. As fusões municipais por elas mesmas não resolverão grande cousa, criando-se com elas novas jurisdições artificiais num marco geral eivado, novos pólos e novos fluxos dos que não sabemos nada. No melhor dos casos, será uma dessas situações de ‘pão para hoje’ quando a Galiza precisa primeiro duma reformulação espacial total.

E a democracia, é verdade, a democracia. Que importante é. Porém, há que lembrar que a democracia alicerça-se na informação. Dispormos de todos os dados é o requisito inicial para começar a te-la, e isso não se resolve com algumas palestrinhas informativas a posteriori e anúncios populistas de ‘referendos’ uma vez feita a foto com o Presidente dando-o tudo por fechado. Tampouco limitando o aceso a este ‘Informe’ em sede municipal durante umas horas e uns dias determinados, havendo internet.

É certo que existe um subtil equilíbrio entre atingir o ‘bem da maioria’, as iniciativas administrativas, a vontade popular e os critérios técnicos, mas isso precisamente implica governar. Por esta razão falava no começo do planeamento estratégico, que numa situação como esta determina os passos a seguir desde um ponto de vista técnico mas, igualmente, detalha como a cidadania deve estar totalmente informada e formar parte do processo antes, durante e depois do seu desenvolvimento, execução e seguimento. Noutras palavras, a proposta de fusão Cerdedo-Cotobade deveria ter seguido umas etapas bem definidas sob constante escrutínio público. No fim, este é um tema crítico que afecta o futuro dos vizinhos e vizinhas e que precisa de todas as garantias possíveis.

A propósito, democracia também teria sido incluir algo tão sensível nos programas das eleições locais do ano passado, e não vir agora com umas presas incompreensíveis quando se requer um processo lento e pausado, mas temo que isso dá para outro escrito.

Topográfico fornecido pelas autoridades. Clicar para ampliar.

Topográfico fornecido pelas autoridades. Clicar para ampliar.